Moro cancela ida à Câmara para falar sobre conversas publicadas por site

 Sérgio Moro cancelou a sua ida à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados marcada para quarta-feira (26) para dar explicações sobre mensagens publicadas pelo The Intercept atribuídas a ele  e a coordenadores da Operação Lava Jato.

A assessoria de imprensa do ministro da Justiça e Segurança Pública informou que ele não poderia comparecer à audiência na Câmara devido a uma viagem oficial aos Estados Unidos.

Como se tratava de um convite, e não convocação, o ministro não era obrigado a comparecer. Ainda não foi marcada nova data.

O adiamento da participação de Moro em audiência na Câmara já vinha sendo tratado desde o último sábado (22). O presidente da CCJ não se opôs ao adiamento porque acredita que a Câmara precisa se concentrar na aprovação da  reforma da Previdência durante esta semana.

Com informações do G1

Intercept diz que Moro orientou substituição de procuradora na Lava Jato

O  site Intercept, divulgou na noite de quinta-feira (20) novos trechos de mensagens atribuídas a procuradores da Lava Jato em Curitiba.

Segundo o site, após receber de Moro a sugestão sobre a procuradora Laura  Tessler, Deltan Dallagnol teria encaminhado o diálogo dele com o então juiz ao colega Carlos Fernando Santos Lima e dito, citando outros dois procuradores:

Ainda segundo os supostos diálogos, Deltan pede a Carlos Fernando que apague o diálogo, e o procurador segue a recomendação. Intercept ressalta o fato de que a procuradora Laura  não esteve presente no primeiro depoimento do ex-presidente Lula ao então juiz Sérgio Moro no processo do triplex do Guarujá. Segundo Intercept, esse novo trecho mostraria que o então juiz Moro comandou a força-tarefa da Lava-Jato em violação das regras éticas e que ele teria se comportado como promotor chefe. E revelaria uma contradição com que Moro disse no Senado.

NOTAS

Em nota, o Ministério da Justiça afirmou eque a mensagem atribuída a Moro “pode ter sido editada ou adulterada” pelo grupo criminoso que hackeou o seu celular.

Já a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba informou que não vai se manifestar.

Site divulga novo diálogo atribuído a Moro em que ele diz ser questionável investigar FHC ‘pois melindra alguém cujo apoio é importante’

Ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Foto: WILTON JUNIOR.

O site Intercept publicou na noite desta terça-feira (18) novas mensagens atribuídas ao então juiz  Sérgio Moro e a procuradores da Operação Lava Jato.

O diálogo, segundo o site, teria ocorrido em 13 de abril de 2017, um dia depois de o Jornal Nacional ter veiculado uma reportagem a respeito de suspeitas contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A reportagem citada pelo site foi publicada no JN de 12 de abril e trouxe a delação de Emilio Odebrecht, que contou ter pago caixa dois às campanhas de FHC nos anos 1990 – ele foi eleito presidente em 1994 e reeleito em 1998.

O caso foi parar na Lava Jato de São Paulo e nunca passou pela avaliação nem do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, nem do então juiz Sérgio Moro.

Segundo o site, Moro teria manifestado contrariedade com a decisão de investigar o caso em São Paulo mesmo já estando provavelmente prescrito, porque isso melindraria “alguém cujo apoio é importante”.

O diálogo publicado pelo Intercept começa com uma mensagem atribuída a Moro e dirigida a Dallagnol. Eles conversam sobre o caso envolvendo FHC, que havia sido encaminhado de Brasília, onde tramitava, para a Lava Jato de São Paulo.

Segundo o site, o depoimento de Emilio Odebrecht permaneceu em segredo de Justiça até abril de 2017, quando foi enviado para ser investigado pela Procuradoria da República em São Paulo e virou notícia. Mas já nasceu morto: os fatos estavam prescritos, e a investigação foi arquivada pela Justiça três meses depois.

 A Justiça Federal arquivou em 5 de julho de 2017,a investigação sobre FHC. O juiz acolheu pedido do Ministério Público Federal, que pediu arquivamento argumentando que o crime prescreveu.

“(…) É fato notório que o representado Fernando Henrique Cardoso possui mais de 70 anos, de sorte que se deve aplicar o disposto no artigo 115 do Código Penal, diminuindo pela metade o prazo acima mencionado. Decorridos mais de 10 anos das datas dos fatos, quais sejam, as campanhas eleitorais nos anos de 1993 e 1997 e não havendo causa interruptiva desse prazo até o presente momento, é de se reconhecer a prescrição”, escreveu na sentença, na ocasião, o juiz Márcio Assad Guardia.

Em nota, a assessoria do atual ministro da Justiça e ex-juiz Sérgio Moro disse:

“O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas por meios criminosos, que podem ter sido editadas e manipuladas, e que teriam sido transmitidas há dois ou três anos.

Nunca houve interferência no suposto caso envolvendo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi remetido diretamente pelo Supremo Tribunal Federal a outro Juízo, tendo este reconhecido a prescrição.

A atuação do Ministro como juiz federal sempre se pautou pela aplicação correta da lei a casos de corrupção e lavagem de dinheiro.

As conclusões da matéria veiculada pelo site Intercept sequer são autorizadas pelo próprio texto das supostas mensagens, sendo mero sensacionalismo”.

Em nota, o Ministério Público Federal em Curitiba informou:

“A força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) vem a público repudiar o ataque infundado à imparcialidade da operação Lava Jato por meio de publicação equivocada e sem checagem dos fatos pelo site ‘The Intercept Brasil’.

Conforme é público, em relação ao ex-presidente Fernando Henrique, a Petição nº 6794 foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) e foi encaminhada por essa Corte à Justiça Federal de São Paulo. Ou seja, o caso sequer era de atribuição da força-tarefa Lava Jato de Curitiba e ela não teve qualquer participação na decisão de seu envio para outra unidade do Ministério Público Federal ou na análise de eventual prescrição.

Sempre que a força-tarefa tomou conhecimento de fatos que poderiam revelar indícios concretos de crimes envolvendo altas autoridades, independentemente do partido a que pertencessem, foram adotadas todas as providências cabíveis.

A publicação, de modo tendencioso, para criar artificialmente uma realidade inexistente que dê suporte a teses que favoreçam o ex-presidente Lula, deixa de reportar a seus leitores o que é fato.

Conforme é público e notório, e pode ser confirmado no site da operação, a força-tarefa já realizou mais de 60 fases ostensivas de investigação, ofereceu mais de 90 denúncias, e participou da celebração de mais de 100 acordos de colaboração premiada que revelaram a participação criminosa de pessoas ligadas a mais de 20 legendas partidárias.

Site divulga trocas de mensagens entre Dallagnol e Sérgio Moro sobre a Lava-Jato que resultou na prisão de Lula

Na Foto: Deltan Dallagnol, procurador e coordenador da Operação Lava Jato (José Cruz/Agência Brasil)

O site The Intercept Brasil divulgou neste  domingo(09),conversas  atribuídas ao procurador Deltan Dallagnol, do Ministério Público Federal (MPF),e ao ministro da Justiça Sérgio Moro mostrando os dois combinando atuações enquanto trabalharam na operação Lava-Jato.O site divulgou trocas de mensagens de Dallagnol e Moro que fazem referências ao processo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi condenado no caso do tríplex de Guarujá. O material inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram de 2015 a 2018.

Segundo o site, Moro sugeriu durante mensagem de texto, em 21 de fevereiro de 2016,alterações no calendário das operações da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, em decorrência de desdobramentos políticos. Dallagnol,de acordo com The Intercept, Brasil disse ao magistrado que haveria problemas logísticos para acatar a sugestão.

Em 31 de agosto de 2016, Moro teria questionado, de acordo com site, o ritmo das prisões e apreensões ao perguntar se a força-tarefa não estaria muito tempo sem promover operações. “Não é muito tempo sem operação?”, disse Moro segundo o site. A última fase da Lava-Jato, de acordo com o site, havia sido feita 29 dias antes — a operação Resta Um, com foco na empreiteira Queiroz Galvão. Pelo conteúdo das mensagens divulgadas, Dallagnol concorda com a observação sobre o tempo da demora.

Ministro da Justiça, Sérgio Moro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NOTAS

Em nota, o ministro Sergio Moro lamentou “a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo.”

Já a força-tarefa de Curitiba disse em  nota para rebater a reportagem, que “seus membros foram vítimas de ação criminosa de um hacker que praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes”.

Também em nota, a defesa do ex-presidente Lula diz que a reportagem mostra que houve uma combinação na Lava Jato com o objetivo de processar, condenar e prender o ex-presidente. Afirma ainda que os processos estão corrompidos e que é urgente restabelecer a liberdade a Lula.

Com informaçoões: O Globo