40% dos maranhenses perderam representatividade na Assembleia Legislativa do Maranhão; oposição desaparece

Flávio Dino e o ex-opositor Roberto Costa

É a primeira vez em sua história que a Assembleia Legislativa do Maranhão não terá oposição. Sem oposição, o Maranhão perde representatividade na Assembleia. A confirmação de que a oposição no legislativo estadual não conseguiu formar bloco demonstra uma falta de equilíbrio no regime democrático, que é dar voz para as diferentes formas de se ver o mundo, de entender a política.

Pelo menos 40% da população enxerga na oposição sua representatividade política. Eleito com 59,29% dos votos nas últimas eleições, o governador Flávio Dino (PCdoB) conseguiu sufocar seus adversários. O deputado estadual Roberto Costa, do MDB, da ex-governadora Roseana Sarney foi um dos grandes responsáveis por desequilibrar o jogo político. Uma fonte próxima do parlamentar disse que com a perda de cargos que tinha na mesa diretora, Roberto Costa tinha que compensar de outra forma e não conseguiria dando espaço para os oposicionistas Adriano Sarney (PV), César Pires (PV) e Wellington do Curso (PSDB).

A tentativa de formar um bloco de oposição, convidando os deputados estaduais Dr. Yglésio (PROS) e Betel Gomes (PRTB), foram frustradas por parte do tiro. O bloco independente formado pelo MDB e PRTB, com Socorro Waquim (MDB), Arnaldo Melo (MDB), Roberto Costa (MDB) e Betel Gomes (PRTB) pode ganhar o reforço do deputado estadual Wendel Lages (PMN), Lages pode chegar sem ter nenhuma contrapartida.

Manobra

Sem participar de nenhum bloco, os deputados também perdem o direito de participar de qualquer comissão da casa. A representatividade também é atingida nos tempos de fala durante as sessões legislativas. Há quem procure uma brecha no regimento interno para garantir a participação da oposição nas comissões da Casa, mas o regimento é claro ao vedar a participação de deputado que não pertença a um bloco parlamentar.

Adriano, César e Wellington devem continuar fazendo oposição ao governo Flávio Dino, enquanto os demais deputados vão disputar o voto de 60% do eleitorado entre si e com os super-secretários de Flávio Dino que a cada dia um novo extra oficializa sua pretensão de chegar à Assembleia Legislativa. Quem terá um caminho mais fácil para retornar ao Palácio Manuel Beckman?

Bloco independente do MDB na Alema podia ter outro nome, não é mesmo Roberto Costa?

Deputados do MDB

O MDB fez um anúncio nesta segunda-feira (4) que surpreendeu zero pessoas. O aviso serviu de uma prova da subserviência que Roberto Costa (MDB), presidente do partido, tem adotado em relação ao Palácio dos Leões desde que Roseana Sarney (MDB) perdeu no primeiro turno para o governador Flávio Dino (PCdoB), em 2018.

O MDB que até a chegada de Socorro Waquim (MDB) contava somente com Roberto Rocha e o deputado Arnaldo Melo (MDB). A oposição que o MDB fazia era assim: “Arnaldo Melo não falava nada e Roberto Costa concordava com tudo”, deixando fazer o papel contraditório somente Wellington do Curso (PSDB), César Pires (PV) e Adriano Sarney (PV).

A oposição do MDB que nunca existiu nesta atual legislatura foi apenas uma homenagem póstuma ao mandato da ex-deputada estadual Andrea Murad, que na legislatura passada era um pitbull na cola de Flávio Dino e seus aliados.

Se quando o MDB fazia parte da oposição, ninguém podia contar com esse posicionamento… Agora fica o questionamento: haverá independência? O nome do bloco do MDB poderia ser outro: “me nota, Flávio Dino”, ou “companheiro, estou aqui!”.