Inquérito militar aponta falha de segurança na viagem que prendeu sargento em voo presidencial

Sargento da Aeronáutica brasileira Manoel Silva Rodrigues, que foi detido na terça-feira (25) no aeroporto de Sevilha, na Espanha — Foto: Redes sociais/ Reprodução TV Globo

Investigação da Aeronáutica  apontou que o sargento Manoel Silva Rodrigues, preso em junho deste ano, na Espanha transportando 39 kg de cocaína, entrou no avião ainda desligado e não passou a bagagem pelos procedimentos de segurança previstos. O militar fazia parte  da comitiva presidencial que levava Jair Bolsonaro – que estava em outra aeronave – para o  G20 realizado  no Japão.

 segundo o relatório militar, não consta que os militares tenham passado por revista antes do embarque. Apenas alguns dos integrantes da comitiva  tiveram de pesar a bagagem de maneira informal. Já de acordo com o inquérito, Silva Rodrigues não passou por esse procedimento.

Somente em Sevilha, o militar precisou submeter a bagagem a um raio-x, que detectou presença de material orgânico na mala. Questionado, o sargento voltou a afirmar que levava queijo a uma prima que morava na Espanha.

Quando as autoridades espanholas detectaram a presença de cocaína, Silva Rodrigues ficou em choque e não disse mais nada no local. Apenas depois, já à Justiça, o militar brasileiro afirmou que não sabia que havia cocaína na bagagem.

Neste ano, o sargento esteve duas vezes na Espanha, em Las Palmas e em Madrid. De acordo com militares que viajaram com eles, não houve nessas ocasiões controle de raio-x no desembarque nos aeroportos espanhóis.

O incidente levou a comitiva a transferir a escala do avião de Bolsonaro, que chegaria depois, de Sevilha a Lisboa.

Busca e Apreensão
Em mandado de busca e apreensão no apartamento onde o sargento vivia, em Brasília, os investigadores encontraram uma coleção de relógios, um celular no valor de R$ 7 mil e eletrodomésticos caros – alguns ainda lacrados. A investigação também descobriu que o militar comprou, em dinheiro, uma motocicleta no valor de R$ 34 mil.
O inquérito apura se os bens encontrados estão compatíveis com o salário de Silva Rodrigues, de R$ 7,2 mil. A defesa do sargento diz que, com as diárias de viagem, a renda pode chegar a R$ 14 mil por mês.
Outro investigado

Além de Silva Rodrigues, o  inquérito também revela que outro militar, o tenente-coronel Alexandre Augusto Piovesan, passou a ser considerado investigado – e não mais testemunha. Isso porque a quebra do sigilo telefônico da mulher do sargento Silva Rodrigues mostra que os dois mantinham contato frequente.

DO G1

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