Um grupo de empresas do ramo editorial, todas sediadas no mesmo endereço na Avenida Getúlio Vargas, no bairro Apeadouro, em São Luís, concentra boa parte do mercado de fornecimento de livros e materiais didáticos para prefeituras maranhenses. As empresas pertencem a uma mesma família e mantêm vínculos societários entre si, atuando sob diferentes razões sociais no mesmo segmento.
Levantamentos em registros públicos mostram uma estrutura em que o patriarca do grupo administra uma das editoras, enquanto os filhos figuram como sócios em outras. A proximidade entre os endereços, a atuação no mesmo mercado e a composição societária cruzada chamam atenção diante do volume de contratos firmados com municípios do estado.
## Contratos milionários
Uma das empresas do grupo figura em representação que tramita no Tribunal de Contas do Estado do Maranhão envolvendo contratações para fornecimento de livros didáticos. No caso, referente a um município do interior, auditores apontaram indícios que motivaram pedido de medida cautelar para apurar possível direcionamento da contratação, suposto sobrepreço e outras irregularidades.
Segundo dados apresentados na representação, com base em informações do SINC Contrata, a empresa teria firmado mais de R$ 62,5 milhões em contratos com municípios maranhenses nos últimos quatro anos, sendo cerca de R$ 34,9 milhões apenas em 2025.
A mesma empresa aparece em outros processos no TCE relacionados a contratações públicas. Em um caso envolvendo outro município, porém, o Tribunal concluiu que houve equívoco na representação inicial e julgou a ação improcedente, determinando o arquivamento do processo. Os procedimentos mostram que as contratações do grupo têm sido objeto de fiscalização constante pelos órgãos de controle, com novas apurações em tramitação.
## O mecanismo da “carona”
Um dos contratos identificados envolve prefeitura do interior do estado, no valor de R$ 506 mil, para fornecimento de livros didáticos à rede municipal de ensino. O contrato foi celebrado por adesão a uma Ata de Registro de Preços, mecanismo conhecido como “carona”, em que o município utiliza licitação já realizada por outro órgão público em vez de promover processo licitatório próprio.
Esse tipo de contratação costuma gerar suspeitas de direcionamento quando envolve valores altos na área da educação, especialmente no setor de livros didáticos e materiais pedagógicos, historicamente alvo de investigações em diferentes estados do país.
Outro ponto de atenção é a falta de transparência sobre a origem da ata utilizada pelo município. O portal oficial da prefeitura informa a contratação, mas não detalha qual órgão realizou a licitação original, o que dificulta a verificação pública sobre a formação dos preços e sobre eventual vantagem econômica para os cofres públicos.


