O avanço das voçorocas no município de Buriticupu, no Maranhão, já resultou em 33 crateras registradas, sete mortes confirmadas e mais de 360 famílias obrigadas a deixar suas casas. Pelo menos 83 imóveis foram destruídos ou engolidos pela erosão.
Embora as primeiras crateras tenham surgido há cerca de 40 anos, o problema passou a atingir a população com mais intensidade a partir de 2015, período marcado pela expansão urbana e aumento das chuvas.
Em alguns pontos, as fendas ultrapassam 600 metros de extensão e chegam a cerca de 80 metros de profundidade.
Especialistas apontam que as voçorocas representam o estágio mais avançado da erosão do solo e que, apesar de terem origem natural, sua expansão está ligada à ação humana.
Segundo o professor e especialista em Direito Ambiental Paulo de Jesus, a interferência antrópica amplia o fenômeno, especialmente em solos arenosos.
Já o professor de Engenharia Civil Walace Alan destaca que a falta de sistemas adequados de drenagem, o desmatamento e a urbanização desordenada aceleram o processo.
Mesmo com o acompanhamento de órgãos públicos, ações do Ministério Público do Maranhão e intervenções do governo federal, moradores afirmam que as medidas ainda não foram suficientes para conter o avanço das crateras, o que reforça a necessidade de planejamento técnico, controle da drenagem e recuperação ambiental das áreas afetadas.



