A pré-campanha no Maranhão começou a mudar de patamar. Não por propostas, ideias ou renovação política. Mudou pelo dinheiro. Mais especificamente, pelo dinheiro ligado às obras públicas, que deixou de atuar apenas nos bastidores e passou a disputar mandatos de forma direta.

Mega-empresário Edinaldo Lucena e o irmão pré-candidato a deputado Hélio lucena

Dois movimentos chamam atenção. Hélio Lucena, pré-candidato a deputado estadual, é irmão de Edinaldo Lucena, empresário que controla um conglomerado de empresas de infraestrutura com atuação intensa em contratos públicos no Estado. Larissa DP, pré-candidata a deputada federal, é esposa de Eduardo DP, empreiteiro à frente da EDP Infraestrutura, Construservice e outras empresas do mesmo ramo.

Não é coincidência. Tampouco acaso. A entrada dessas candidaturas mexeu no preço da política. Pré-candidatos relatam, em conversas reservadas, que lideranças passaram a ser abordadas com cifras fora do padrão, estruturas permanentes e compromissos financeiros difíceis de acompanhar. Quem não tem caixa, ficou para trás.

O caso de Eduardo DP adiciona um elemento que incomoda ainda mais. O empresário já foi preso em investigações relacionadas a corrupção e contratos públicos. Isso não o afastou do jogo. Apenas mudou a estratégia. Agora, o projeto passa pela ocupação direta do espaço político, por meio de um mandato familiar.

O empresário Eduardo DP em momento de descontração com a esposa pré-candidata LarissaDp

O problema é direto. Empresas que cresceram alimentadas pelo orçamento público agora tentam transformar esse capital em poder institucional. Não se trata de apoio político tradicional. Trata-se de presença. De ocupação. De cadeira.

A chamada bancada do asfalto não precisa de anúncio formal. Ela já opera. Pressiona partidos, encarece alianças, distorce chapas e reduz o espaço para candidaturas que dependem de voto, não de estrutura financeira pesada.

Quando mandatos passam a ser extensão de conglomerados empresariais dependentes do próprio Estado, a fiscalização perde força. O conflito de interesses se normaliza. E a política deixa de ser disputa de ideias para virar investimento.