O contrato da Secretaria de Estado da Saúde com o Instituto Acqua para gerir o Hospital Dr. Carlos Macieira chegou ao seu 24º termo aditivo, consolidando uma sequência de renovações que se estende desde 2019. A cada aditivo, o acordo cresce em valor e em duração, mantendo o instituto no comando do principal hospital de alta complexidade do Maranhão sem a realização de um novo chamamento público ao longo desses anos.

Um documento recente, emitido em 13 de novembro de 2025, mostra que apenas o 24º aditivo resultou em um empenho de R$ 20 milhões, valor totalmente liquidado e pago à entidade. O montante reforça a rotina de repasses milionários que sustentam o contrato, sempre ampliado de forma silenciosa, sem que a Secretaria apresente à sociedade justificativas claras sobre metas, critérios de expansão ou resultados concretos alcançados.

O Acqua, que já acumula contratos e aditivos em diversas unidades do estado, mantém no Carlos Macieira uma posição praticamente permanente. O que se observa é a transformação de um contrato temporário de gestão em uma engrenagem contínua de recursos públicos, renovada termo após termo, sem que o governo apresente transparência detalhada ou indicadores de desempenho que justifiquem a manutenção do modelo.

A sucessão de aditivos e o peso financeiro das liberações chamam atenção pela recorrência e pelo impacto no orçamento da saúde. Em tempos de demanda crescente por serviços e fiscalização, a ausência de novos processos seletivos e a expansão constante dos valores tornam inevitável o questionamento sobre a efetividade e a lisura na condução desse contrato, que já ultrapassou há muito o limite da excepcionalidade administrativa.