Documentos do Ministério Público apontam que o Grupo Caninana movimentou milhões com práticas ilícitas que incluem importações irregulares, notas fiscais falsas e utilização de pessoas físicas de baixa renda como “laranjas”.
O Ministério Público do Maranhão, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), conduz uma investigação de grande porte contra o Grupo Caninana, comandado pelos empresários Laurisvaldo Rodrigues Caninana, Laudivan Rodrigues Caninana e Antônio Lourismar Rodrigues Caninana.
De acordo com os autos, a organização empresarial é formada por mais de 26 empresas ativas nos estados do Maranhão e Pará, abrangendo setores como comércio de pneus, motocicletas, construção civil e atacado. As firmas registradas incluem a Caninana & Ribeiro Ltda., Caninana Motos Ltda., Construtora Caninana Ltda. e Atacadão Caninana Ltda., entre outras.
Indícios de fraudes fiscais e importações irregulares
Os relatórios judiciais apontam fortes indícios de fraude fiscal e comercial, incluindo:
•venda de pneus recapados e produtos sem nota fiscal;
•importação irregular de mercadorias da China, utilizando selos falsificados do Inmetro;
•Contrabando e irregularidades no desembaraço aduaneiro;
•uso de empresas de fachada para movimentação de recursos.
O documento ainda menciona que cerca de 500 funcionários estariam atuando sem registro formal, configurando infrações trabalhistas em larga escala.
Utilização de laranjas e movimentações suspeitas
O GAECO também identificou o uso de pessoas físicas como “laranjas”. Os relatórios do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) destacam movimentações atípicas, acima da capacidade financeira habitual de indivíduos que declaravam receber pouco mais de um salário mínimo, mas movimentaram milhões de reais em suas contas bancárias.
Um dos citados é Sandro Morete de Sousa Carreiro, que teria usado sua conta pessoal para movimentar recursos de terceiros sem origem comprovada. As investigações indicam que tais operações podem configurar tentativa de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
Laranjas e movimentações milionárias
Um dos pontos mais graves da apuração é o uso de pessoas de baixa renda como laranjas para movimentar valores milionários.
O relatório cita, por exemplo, um operador de máquinas que recebe cerca de R$ 1.500 por mês, mas movimentou mais de R$ 8 milhões em sua conta bancária.
Transações superiores a R$ 1,6 milhão
Entre 2021 e 2022, as empresas ligadas ao grupo realizaram transações que ultrapassaram a cifra de R$ 1,689 milhão, envolvendo pagamentos e recebimentos junto à empresa Ciclo Cairu Ltda., suspeita de atuar como intermediária na importação e distribuição de mercadorias internacionais.
Competência federal
Diante da gravidade dos indícios e por envolver interesses da União, o Ministério Público requereu o declínio da competência para a Justiça Federal, que deve conduzir os próximos passos do processo.
Repercussão e silêncio dos investigados
O Grupo Caninana é considerado um dos maiores conglomerados empresariais do interior do Maranhão, com forte influência econômica e política na região. O caso pode se transformar em um dos mais relevantes processos criminais envolvendo empresários do estado.
Até o fechamento desta reportagem, os investigados e suas empresas não haviam se manifestado. O espaço segue aberto para esclarecimentos.