Mesmo sob o peso de investigações federais, o empresário Eduardo José Barros Costa, o Eduardo DP, mantém sua influência no cenário político do Maranhão. Apontado como um dos principais alvos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) em esquemas de fraudes em licitações e contratos públicos, DP articula agora a candidatura da esposa, Larissa Torres Costa, conhecida como Larissa do DP, ao cargo de deputada federal nas eleições de 2026.

A movimentação política, longe de passar despercebida, já desperta atenção em Brasília e nos bastidores das forças-tarefa que investigam o empresário. Fontes ouvidas de forma reservada apontam que a PF deve usar a pré-candidatura de Larissa como mais um caminho para mapear a rede de influência, contratos suspeitos e eventuais crimes cometidos pelo grupo político e empresarial liderado por Eduardo DP.

Histórico recheado de suspeitas

Dono da Construservice, uma das empresas campeãs em contratos milionários com prefeituras maranhenses, Eduardo DP acumula um vasto histórico de suspeitas, que incluem fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e uso de documentos falsos. O empresário chegou a ser preso em operações da Polícia Federal, tendo sido flagrado com mais de R$ 1 milhão em espécie, situação que evidenciou a dimensão financeira e a complexidade das investigações.

Além disso, DP já foi denunciado por utilizar múltiplos CPFs e documentos falsos, o que, segundo investigadores, pode ter servido para ocultar patrimônio, participar de licitações de forma fraudulenta e dificultar o rastreamento do fluxo financeiro do grupo.

Candidatura em ambiente de suspeitas

A pré-candidatura de Larissa DP não ocorre em um ambiente político comum. Pelo contrário: fontes da PF indicam que o mapeamento de possíveis financiadores da campanha, alianças políticas e o eventual uso de recursos públicos desviados podem se tornar alvos prioritários das investigações.

Em Brasília, o nome de Larissa já circula nos relatórios de inteligência que monitoram as ramificações políticas do grupo. A preocupação central é que a candidatura seja usada como escudo para manter o capital político do empresário e tentar garantir influência no Congresso, mesmo em meio ao avanço das operações policiais.

Estrutura familiar sob o radar

O projeto político não se limita a Larissa. O irmão de Eduardo DP, Rômulo Costa, também figura como possível candidato, evidenciando o uso da família como peça-chave para manter o grupo em evidência no cenário político e, ao mesmo tempo, tentar neutralizar os efeitos jurídicos que recaem sobre o empresário.

Para investigadores, essa estratégia é clássica em grupos políticos sob investigação: ao colocar familiares em posições de poder, o grupo tenta garantir foro privilegiado, acesso a informações privilegiadas e manter acordos políticos que possam dificultar ou atrasar o avanço de investigações.

PF deve aprofundar cerco

A expectativa nos bastidores é que, à medida que a campanha de Larissa avance, a PF intensifique o rastreamento de contratos, emendas parlamentares e alianças políticas associadas ao grupo. Municípios onde a Construservice e empresas ligadas a Eduardo DP possuem contratos serão objeto de monitoramento especial.

Além disso, a movimentação financeira da pré-campanha, incluindo eventuais doações de aliados e empresas, deve ser analisada com rigor, diante do histórico de fraudes e ocultação de patrimônio atribuídos ao empresário.

Se confirmada a candidatura, a eleição de 2026 pode representar não apenas um teste político, mas um novo capítulo nas investigações que cercam o grupo liderado por Eduardo DP.