Uma sessão do Tribunal do Júri da Comarca de Cantanhede, marcada para a última quarta-feira (14), foi suspensa após comportamento considerado inadequado do promotor de Justiça Márcio Antônio Alves de Oliveira. De acordo com a juíza Bruna Fernanda Oliveira da Costa, que presidia a audiência, o promotor teve uma postura hostil com servidoras do Poder Judiciário e com a própria magistrada momentos antes do início do julgamento de um caso de homicídio simples.

Conforme registrado em ata, o promotor exigiu de forma desrespeitosa a retirada de objetos da secretária judicial, interrompeu a magistrada e deu ordens diretas a servidores da Vara em tom autoritário.

A juíza apontou indícios de machismo estrutural na conduta do membro do Ministério Público, citando o protocolo do Conselho Nacional de Justiça para julgamentos com perspectiva de gênero. Com base no ocorrido, ela declarou a inviabilidade da sessão e determinou o reagendamento do julgamento, além da notificação das partes envolvidas e comunicação formal à Procuradoria-Geral de Justiça e à Corregedoria-Geral do Ministério Público do Maranhão.

O caso também foi levado ao conhecimento da Corregedoria-Geral de Justiça do TJMA, que poderá adotar medidas adicionais diante da gravidade da conduta atribuída ao promotor.