Manutenção da prisão de Eduardo DP pode interferir diretamente nas eleições de 2022 dentro e fora do Maranhão

Eduardo DP era tido como acionista da secretaria de infraestrutura do Maranhão

A prisão do empresário Eduardo DP pela Polícia Federal, na última quarta-feira (20), em decorrência das investigações no âmbito da Operação Odacro, representa a ponta de um cenário de caos que a classe política maranhense e de outros Estados podem estar vivendo neste momento. Isso porque o empresário se tornou um dos principais nomes do cenário atual em relação aos rumos da política no Maranhão e isso tem explicação.

O empresário é dono da empreiteira Construservice, que está no centro das investigações da Polícia Federal, por conta de supostas execuções de contratos fraudulentos envolvendo verbas da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), Eduardo DP possui negócios com cerca de 80% da classe política maranhense, especialmente com secretários estaduais da gestão do ex-governador Flávio Dino (PSB), o qual também tinha cerca de meio bilhão em contratos com o empresário. Só neste ano, a empresa de Eduardo DP já tinha cerca de R$ 78 milhões em contratos empenhados junto ao Governo do Estado.

Em São Luís, Eduardo DP possuía negócios digamos que escancarados com o ex-secretário Clayton Noleto (PC do B), pré-candidato a deputado federal e ex-secretário da Infraestrtura. Em função do seu poder financeiro e de influência dentro da pasta, Eduardo DP era tido como um verdadeiro acionista da Sinfra. Além dele, na pasta de Cidades, por exemplo, Márcio Jerry, ex-secretário, também executou milhões em contratos de obras do Estado junto à Construservice.

Deputados federais mantêm negócios com o empresário. O recurso federal é destinado via emendas parlamentares para a Codevasf ou outro órgão do governo federal, e a empresa Construservice é a responsável pela execução das obras. A exemplo disso, milhões de reais em emendas, encaminhadas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), estão sendo executadas pela empresa do Eduardo DP.

Roberto Rocha (PTB), que é um dos que mais destinou recursos do ‘orçamento secreto’ por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional e Codevasf, também ‘executou’ a maioria das emendas de sua autoria com a Construservice. Além dele, Weverton Rocha (PDT), segundo informações de bastidor, também possui laços íntimos com DP, tanto que moram no mesmo condomínio, em Barreirinhas, e possuem o mesmo contexto social.

A nível estadual, muitos deputados ocupantes de cargos na Assembleia Legislativa também mantêm negócios com o empresário. Foram destinadas emendas parlamentares para obras de pavimentação de ruas, construção e praças e outras obras pelos municípios que, “coincidentemente”, forame executadas pela mesma empresa.

Prefeitos que venderam seus apoios à reeleição de Brandão em troca de obras para os seus municípios, por exemplo, já começam a demonstrar preocupação em relação à prisão do responsável pela execução das obras, que já contam com as máquinas da empresa nos canteiros, mas podem ocasionar um efeito político negativo para suas bases.

Em um caso específico de um município maranhense, por exemplo, onde a empresa de Eduardo DP venceu uma licitação de R$ 13 milhões, a campanha do marido da Prefeita, que é pré-candidato a deputado estadual, está sendo financiada com o ‘lucro’ do processo licitatório fraudulento.

Essa influência respinga ainda para fora do Maranhão, mas não muito longe. Eduardo DP possui o mesmo tipo de relação com políticos do Tocantins por exemplo, com contratos milionários pendentes de execução e que podem ser prejudicados.

Se confirmadas as suspeitas da Polícia Federal, o ‘lucro’ dos contratos supostamente fraudulentos seria utilizado para financiar as campanhas eleitorais de deputados estaduais e federais, nas eleições de 2022, e dificuldades na ‘liberação’ desse dinheiro deve interferir diretamente nas eleições, inclusive para o governo do Estado.

A prisão de Eduardo DP ainda é temporária, que deve durar cinco dias, mas se o desembargador Régis Bonfim, que está à frente do caso, entender que deve ser convertida para preventiva e ele passar mais tempo preso, levando em consideração todo poder de influência financeira no cenário político maranhense e fora do estado que o empresário possui, haverá um descontrole político geral e sem precedentes.

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