O Maranhão de Flávio Dino não é diferente do Brasil de Bolsonaro

Apesar de, em seus dois mandatos, sustentar que o seu governo era para todos os maranhenses, fora o discurso de revolução após ter derrotado a Família Sarney nas urnas, Flávio Dino (PSB) manteve um governo totalmente composto por homens ao longo de mais de sete anos. Mulheres quase nunca tiveram vez e voz quando tratamos de representantes em pastas.

Secretarias expressivas, com grande participação na vida do maranhense, como Educação, Saúde e Cidades, sempre tiveram homens como chefes dessas pastas, restando às mulheres cargos de segundo escalão, isto é, de substituição em casos esporádicos — e por tempo mínimo.

Em todo o governo, as únicas secretarias e órgãos que tiveram mulheres à frente foram a Secretaria da Mulher, com a deputada Ana do Gás (PC do B) que, obviamente, não poderia ter um homem; e o DETRAN, com a então diretora-geral Larissa Abdala, exonerada para dar lugar a um homem: Fracisco Nagib. Cenário que sustenta um machismo estrutural dentro do “Governo de todos nós”, que não demonstrava interesse algum pela participação feminina em assuntos diretos do governo.

Essa situação não se limitava à estrutura governamental, mas se estendia a eventos políticos. Em 2015, Dino já agiu com viés machista em evento em Lago da Pedra. Na ocasião, a prefeita Maura Jorge (PSDB) se viu silenciada pelo então governador do Estado, que não deu a oportunidade de se pronunciar diante da população presente.

“Infelizmente, o governador não ouviu a voz do povo e foi ouvir a voz de meia dúzia, que não entende o que é democracia e o papel do Executivo no município. Só queríamos dar as boas-vindas ao governador. Apenas isso”, disse Maura à época.

Além de Maura, a prefeita de Belezinha (PL), em 2021, que é aliada de Josimar de Maranhãozinho (PL), após ter dito em vídeo que não havia recebido suporte financeiro do Governo para a saúde, refutando informação dada por Flávio Dino, foi escorraçada dentro da própria ‘casa’, em evento no município de Chapadinha.

Dino disse, ao lado da prefeita, em meio a dezenas de pessoas, que as pessoas “na internet, se transformam e se danam a mentir”, fazendo referência à fala da prefeita. Na ocasião, era nítido o sentimento de constrangimento por parte de Belezinha.

Sabendo da bagagem negativa em relação às mulheres, Flávio Dino, agora, em busca do cargo de Senador, deve utilizar em seu discurso eleitoral que, em sua suplência, terá uma mulher, a vice-prefeita de Pinheiro, Ana Paula (PDT) que, em momentos de um eventual mandato, assumirá o cargo de senadora da República. Ao lado de Ana Paula, que tem representatividade feminina na política, Flávio Dino deve ‘limpar’ a sua imagem.

Subindo nas costas daquelas com as quais age com tratamentos ruins, antiéticos e, de longe, lamentáveis.

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