Policiais femininas têm sofrido com assédio sexual e violência psicológica dentro de suas corporações

Em 2° de maio, policiais militares locados na cidade de Timon, debatiam sobre o evento ocorrido na noite anterior (01), Dia do Trabalhador, em uma espécie de reunião (preleção) que antecedeu o início do serviço noturno, quando o Comandante do 11º BPM teria praticado violência psicológica contra uma servidora policial militar, praça, sua subordinada.

O oficial em questão teria se referido a eventos privados e de cunho sexual, vividos pela policial no passado, isso tudo diante de vários colegas PM’s do sexo masculino e onde ela era a única mulher.

Acontece que a policial em questão já tinha registrado um Boletim de Ocorrência, em uma Delegacia de Polícia, levando ao conhecimento do Tenente Coronel, Comandante do 11º BPM em Timon, um caso de assédio e perseguição sexual perpetrado contra si por suposto capitão de polícia da unidade.

De maneira inexperiente, a policial narrou ao Coronel que, o Capitão de iniciais SN, a teria convidado a integrar o grupo Força Tática do 11º, e que para isso, bastava que ela lhe retribuísse sexualmente. Que mesmo se recusando, incorporou a Força Tática, por algum tempo. Mas que o capitão SN continuou insistindo e cobrando-lhe “a dívida”.

Após recusar todas as investidas do capitão, passou a sofrer perseguição e, em seguida, foi retirada da Força Tática. Ela narrou, tudo isso ao seu comandante, de quem esperava proteção, que estava sendo perseguida e se sentia no limite, à beira de um ataque de nervos. O Coronel, além de não tomar a atitude que lhe cabia por força de lei, ainda tentou desestabilizá-la.

De acordo com informações, o Coronel em questão acabou de ser exonerado do comando do 11º BPM, mas o capitão SN continua sem um tipo de punição.

O que tem se visto dentro da Polícia Militar Maranhão é que o ambiente tem se tornado hostil para as mulheres policiais, em que o assédio e a cobiça sexuais são a regra. E isso vem de todos os lados e direções, por quem comanda, dá para se imaginar o jogo de cintura a que elas estão submetidas.

De acordo com informações, a policial em questão, de tão perturbada e desestabilizada que ficou, perdeu completamente a capacidade para continuar no serviço precisando buscar atendimento médico numa unidade de saúde. Ou seja, o comentário feito pelo oficial atuou como um gatilho psicológico, capaz de fazer a policial voltar no tempo e reviver todo o sofrimento, toda angústia, os meses de depressão e dor causados por aquele evento.

É importante deixar claro que a sexualidade de uma pessoa pertence apenas a ela. Ninguém tem o direito de invadir essa intimidade. A ninguém é dada a liberdade de, sequer, julgar o que uma mulher faz na sua intimidade. Querer julgar, opinar, questionar ou apontar a sexualidade de alguém é invadir a sua liberdade. Ninguém deve ser julgado pela maneira que trata a própria sexualidade.

À todas as mulheres: não aceitem nenhuma forma de assédio. Não aceitem as gracinhas, as piadinhas, os convites para sair, disfarçados de brincadeirinhas, as invasões das suas privacidades carregadas de machismo e sexismo, não aceitem o abuso e as tentativas de lhes diminuírem.

Há lei nesse país! Façam uso dela! Denunciem! O objetivo da lei é trazer proteção para mulher vítima de violência de gênero, diante de violação da sua intimidade (violência psicológica).

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